sexta-feira, 27 de maio de 2016

Afinal, nós somos livres? (apenas um desabafo sobre o caso de estupro no Rio de Janeiro)

Crime é crime.
Crimes rompem com a nossa civilidade, com a cultura de respeito ao indivíduo, com o que nos torna humanos e diferentes de bestas insensatas.
O que houve no Rio de Janeiro não pode ser justificado, é o resultado de uma sociedade fraca e sem valores mínimos éticos de respeito e humanidade!

Ser mulher é difícil.
Não podemos ser hipócritas e dizer que não. 
Eu mesma, não me atrevo a sair de casa à noite, sozinha. Não me atrevo a usar uma saia mais curta, quando sei que terei de usar transporte público. Corro sim, se está tarde, e percebo alguém suspeito na rua. Porque além de temer por meu patrimônio, minha integridade física, temo por ser vítima de estupro, temo ser violentada.
Qual mulher não tem este medo?
Não quero dizer que homens não possam sofrer o mesmo dano, mas, é fato que mulheres são mais vulneráveis. Somos diferentes dos homens, biologicamente. É preciso admitir isso. E é preciso admitir que o problema é maior do que aparenta ser.

Não é apenas uma construção machista que está por detrás desta barbaridade que, infelizmente, ocorreu com uma adolescente. Trata-se de uma sociedade que está doente, com indivíduos que não respeitam, que não são capazes de ter o mínimo de empatia pelo outro.

É muito difícil estabelecer a gênese da tragédia, mas uma coisa é certa, NADA justifica a violação ao corpo desta moça, que foi estuprada, violentada e irá guardar este trauma pelo resto da vida. NINGUÉM merece passar por isso. Não importa o que ela tenha feito ou não. É absolutamente DESUMANO atingir de forma torpe a integridade física, psicológica e moral de uma pessoa. 

Podemos dizer que é culpa de uma cultura machista. Podemos dizer que é culpa de um Estado ineficiente que não consegue prover o mínimo de segurança. Podemos dizer que é culpa de toda a sociedade que prega o hedonismo, o prazer, a ostentação, e esquece de valores básicos, mínimos, de respeito, ao menos, ao espaço do outro. 

Neste momento, acredito que toda a sociedade brasileira deva se indignar diante de crimes como este. Não importa se você é de direita, de esquerda, liberal, socialista, feminista, humanista. ESQUEÇAM OS RÓTULOS, porque eles podem limitar nossa capacidade de ver o problema, compreender o quão difícil e complexa é a situação, e deste modo, não consigamos encontrar a solução. Porque ela não virá tão facilmente. 

Acredito que as redes sociais tem um papel importante, assim como a imprensa, os jornalistas. Assim, podemos fazer as pessoas pararem para pensar, refletir sobre nossas atitudes, e cobrar das autoridades as ações que são de responsabilidades deles. 
É deste modo, que nos fazemos ouvir por quem tem o poder de mando do Estado nas mãos.
Por que tanta demora para prender os culpados? Emperrados diante de burocracias (ou burrocracias), falta de preparo, ausência de investigadores? Não se justifica que o Estado não dê uma resposta mínima à moça e seus familiares, vítimas desta violência, e a toda a sociedade! 

E quanto a nós... Nos incumbe respeitar e criar uma cultura de respeito. Independente da condição, das atitudes, somos todos seres humanos. Mulheres não são objetos, não são propriedades, não são inferiores.
Não podemos nos calar. Ninguém pode ter vergonha de denunciar crimes.
Mulheres tem a mesma importância e capacidade que os homens, podemos ser diferentes, mas nossa dignidade e direitos mínimos são equivalentes.

Não podemos mais tolerar qualquer violência, doméstica, contra crianças, estupros, violações...
E sobretudo, não é admissível que a culpa por um crime hediondo seja da vítima! 
Mulher nenhuma provoca um estuprador, um criminoso. 

Chega de cultura de estupro! 
Basta desrespeito ao indivíduo! 
Toda mulher, toda criança, todo idoso, todo homem, todos merecem uma sociedade livre de violência e criminalidade! 

Vítima é vítima! 
Que os criminosos sejam punidos! 
E que não esqueçamos a necessidade de mudar os valores destorcidos que estão envenenando a nossa civilização!   

Minha conclusão e resposta: "ainda não somos livres".

Link para notícia do crime: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/nao-doi-o-utero-e-sim-alma-diz-menina-vitima-de-estupro-coletivo.html>.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Uber: por um mundo repleto de alternativas!

Moro em Fortaleza-CE, e recentemente o Uber começou a operar na cidade.

Uma notícia excelente... Não fosse a possibilidade de sofrer atos violentos de alguns senhores que se dizem taxistas, mas poderiam muito bem ser depredadores da propriedade alheia e lesadores da integridade física de indivíduos que estão apenas trabalhando honestamente.

Ainda não tive a oportunidade de usar os serviços do Uber, mas sou uma entusiasta das novidades possibilitadas pelos aplicativos. Tudo o que surge para descomplicar nossas vidas deve ser apreciado.

Não quero dizer que os serviços de taxis devam ser extintos pra sempre. Mas eles precisam se REINVENTAR.

O surgimento de concorrência que ganha cada vez mais adesão dos consumidores deveria ser visto como uma indício de necessidade de melhoria, mudanças. Não é preciso grandes investimentos para melhorar um serviço como o de transporte individual, basta agir com um pouco de educação, paciência, respeito.

Sei que nenhum serviço é perfeito, mas quanto mais alternativas tivermos melhor. A possibilidade de escolher é algo inerente às sociedades que se pautam na liberdade e pluralidade. Portanto, aplicativos como o Uber estão mudando sim a perspectiva dos Estados que primam pela liberdade individual.

É lamentável que a primeira resposta dos taxistas (alguns, pois espero que nem todos sejam assim) seja a revolta e/ou violência. Muito mais inteligente seria se eles procurassem questionar o que fazem de errado para as pessoas preferirem usar o Uber. O mercado funciona assim, a resposta é espontânea, e quem pode usar algo que é melhor, vai escolher o que é melhor, nos limites de suas possibilidades.

Nenhum monopólio pode ser suportado, muito tempo, por sociedades livres.
Não adianta quebrar, barrar estradas, usar de violência, há mudanças que estão além de controles autoritários e irracionais.

                                          (Fonte: Série "Love", original da Netflix).

P.S.: Netflix lindo, que é outra alternativa maravilhosa proporcionada pelo capitalismo que tanto falam mal. ;)